Por que as empresas quebram? (o efeito caixa)

O que leva uma empresa a quebrar? A primeira resposta que vem à mente é de que talvez ela não é rentável, seja porque seus produtos (ou serviços) não atendem mais as expectativas de seus clientes, seja porque o preço de venda está muito acima do praticado pelo mercado, seja porque o preço está muito abaixo, seja porque os custos fixos estejam muito altos, enfim, a resposta mais fácil nestes casos é relacionar a quebra de uma empresa ao fato de ela já não ser economicamente viável.

Mas, e quando uma empresa quebra e ao olharmos seus demonstrativos financeiros, o que se enxerga é um histórico de lucros crescentes e vendas em ascensão? Como pode uma empresa com estas características vir a quebrar?

Foi pensando em responder à essa pergunta e sobretudo para auxiliar gestores e empresários a ficarem atentos para essa armadilha que resolvi escrever esse post. Acredite, nestes vários anos de consultoria em empresas de diversos segmentos e tamanhos, conheci empresários que experimentaram o gosto amargo de ver o fruto de muito sonho e trabalho vir por terra, justo nos momentos de maior euforia, ou seja, momentos em que a empresa se expandia.

Não se trata de nenhuma nova fórmula mágica ou complicada de finanças. Estamos falando de crescimento sustentável.

Sempre que uma empresa cresce acima de sua capacidade de reinvestimento, ela pode ficar à mercê de seus financiadores, normalmente (mas não apenas) bancos. Se estes financiadores vierem a lhe negar ou reduzir o crédito, a continuidade do negócio pode entrar em colapso. Esse fenômeno é conhecido como efeito tesoura.

O efeito tesoura caracteriza-se por um descompasso entre a Necessidade de Capital de Giro (NCG) e o Capital de Giro (CDG).  O saldo dessa conta é o saldo em Tesouraria (T).

T= CDG – NCG

A NCG é a diferença entre o que a empresa financia com seus recursos próprios (Estoques, clientes, etc.) menos as fontes de financiamento operacional da empresa (Fornecedores, funcionários, etc.). O ideal para uma empresa seria que ela tivesse o saldo dessa conta negativo (NCG<0). Caso o NCG seja positivo significa que ela financia mais o seu ciclo operacional do que é financiada.

O CDG são as fontes de financiamento de longo prazo da empresa. É a diferença entre as origens de recursos (Capital, Lucro, empréstimos de longo prazo) menos os ativos de longo prazo (imóveis, veículos, máquinas, etc.).

Sempre que o CDG é menor que a NCG o saldo em Tesouraria (T) é negativo e aí, a empresa é obrigada a buscar financiamentos de curto prazo, via de regra com juros mais altos, pouco prazo para pagamento, exigência de garantias. Neste momento a empresa começa a correr riscos pois a continuidade de seu negócio depende destas captações de recursos. Se o banco cessar o crédito, se um determinado fornecedor mais atento à situação do balanço da empresa reduzir os prazos de vendas, a empresa pode entrar em colapso.

COMO AVALIAR A SITUAÇÃO DA SUA EMPRESA?

1º – Obtenha o balanço dos último exercício;

2º – Reclassifique as contas do Ativo e Passivo em 3 grupos:

  • Não operacionais (caixa, bancos, empréstimos curto prazo, etc.);
  • Operacionais (estoques, clientes, fornecedores, funcionários, etc.);
  • Longo prazo (Ativos não circulantes e passivos não circulantes).

O resultado das contas operacionais é o seu NCG. O Resultado das contas de Longo Prazo é o CDG. A diferença entre elas é o saldo em tesouraria (T) que por lógica tem que coincidir com o resultado das contas Não Operacionais.

3º – Verifique em qual nível a empresa está. Existem 6 níveis de análise:

  1. EXCELENTE: T>0; NCG<0; CDG>0
  2. SÓLIDA: T>0; NCG>0; CDG>0
  3. INSATISFATÓRIA: T<0; NCG>0; CDG>0
  4. ALTO RISCO: T>0; NCG<0; CDG<0
  5. MUITO RUIM: T<0; CNG<0; CDG<0;
  6. PRÉ-INSOLVÊNCIA: T<0; NCG>0; CDG<0.

O que fazer para reverter a situação?

Mais importante do que simplesmente saber qual o nível da empresa, é necessário entender os fatores que levaram à situação e criar um plano de ação para melhorias. Aqui vão algumas dicas de quais podem ser os motivos

CAPITAL DE GIRO (CDG) RUIM:

  • Empresa com imobilizados ociosos ou não operacionais;
  • Investimentos em imobilizados caros com retorno inadequado ou demorado;
  • Lucro retido baixo ou queda no lucro.

NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO (NCG):

  • Aumento elevado nas vendas com mesmos níveis de NCG e AUT;
  • Ciclo financeiro (fornecedores, estoques e clientes);
  • Crise econômica (redução nas vendas, inadimplência, redução de prazos dos fornecedores, diminuição do lucro, etc.).

Espero ter contribuído. Corra lá pegar o balanço de sua empresa e faça essa análise!

Disponibilizamos gratuitamente uma planilha para auxiliá-lo nesta análise.

Confira abaixo:

Material Gratuito

Orivaldo Nardi Primo
Sócio na Valore Brasil Controladoria de Resultados.
Contador, certificado CPBB pela ABPMP, ITIL Foundation e Cerne 1 pela ANPROTEC.

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